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terça-feira, 22 de abril de 2008

O CD novo do Quinteto em Branco e Preto

Foi publicado no blog do Nei Lopes uma resenha do mais novo CD do Quinteto em Branco e Preto, Patrimônio da Humanidade.

Tive a oportunidade de ver o novo show do grupo na choperia do Sesc Pompéia há 2 semanas. Realmente o trabalho está em altíssimo nível, apesar de não ser tão bom quanto o CD anterior, Sentimento Popular.

Mas está ótimo e firma mais ainda o Quinteto como melhor grupo de samba na atualidade.

Segue o texto:

Quinteto retorna fiel às cores do melhor samba

Enquanto o grupo carioca Fundo de Quintal permanece cedendo às duras pressões da indústria fonográfica para gravar redundantes discos ao vivo (com justa ressalva para o belo álbum de inéditas Pela Hora, de 2006), o Quinteto em Branco e Preto colhe os frutos por semear no quintal paulista o gosto pelo melhor samba. Avalizado por Beth Carvalho desde seu primeiro disco, Riqueza do Brasil (2000), o grupo chega ao terceiro CD, Patrimônio da Humanidade, fiel às cores do melhor samba. É o primeiro álbum do Quinteto em seis anos - e o sucessor de Sentimento Popular (2002) vai fazer jus à expectativa criada pelos admiradores dos sambistas, oriundos da periferia de São Paulo (SP). O padrão de qualidade do grupo é mantido em sambas como o melódico Mananciais - trunfo do CD.

Seja nos sambas românticos de tom dolente que nunca resvala na banalidade do pagode sentimental (Desejo, Coisas do Coração, Meu Pranto), seja nos sambas de balanço mais buliçoso (Cabrochinha é uma delícia), os principais compositores do grupo - Magnu Sousá e Maurílio de Oliveira - mostram que estão entre os melhores criadores do gênero. No repertório quase todo inédito de Patrimônio da Humanidade, há belos sambas da dupla - como a faixa-título, que alude ao fato de o samba de roda da Bahia ter sido eleito patrimônio nacional pela Unesco. Fora da lavra de Magnu e Maurílio, há partidos de altíssimo quilate como Brisa da Colina e Carrapato Deu no Boi, unidos em contagiante medley. Outro destaque é Prisão Especial, parceria de Nei Lopes com o violonista e vocalista do quinteto, Everson Pessoa. Na sarcástica letra, a melhor do CD, o sempre afiado Nei Lopes alfineta o preconceito que ainda envolve os sambistas face às empresas e autoridades. Tema recorrente em Elemento Suspeito, que toca na ferida do racismo ao falar do preconceito sofrido pelos negros que moram em morros e favelas - com direito a efeitos sonoros. Enfim, Patrimônio da Humanidade é um grande disco de samba. Somente os preconceituosos e os cariocas bairristas vão fechar os ouvidos para a beleza do repertório gravado pelo Quinteto em Branco e Preto - ele próprio um patrimônio do samba. E do Brasil.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Ótima opção para sábado à noite

Repercussão da morte de Mestre Louro

Do "O Dia na Folia":

Rio - O mais talentoso dos mestres de bateria da nova geração lamentou profundamente a morte de Louro, ocorrida na madrugada desta quinta-feira. Para Mestre Átila, comandante dos ritmistas do Império, a morte do ex-mestre da Porto da Pedra significou a "perda de um pai". "Sempre tive o Louro como referência ao lado de Ciça, Mug, Odilon e Jorjão. Perdi mais um pai. Em nome da diretoria de bateria do Império, dou meu pêsames à família", disse.

Rio - A notícia do falecimento de Mestre Louro deixou chocado um de seus principais amigos: Mestre Odlion da Grande Rio. Procurado pelo Dia na Folia, Odilon disse que sempre se inspirava em Louro não só para comandar sua bateria, mas também para se relacionar melhor com as pessoas.

quarta-feira, 19 de março de 2008

A guerra do Iraque


O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, discursou em rede nacional hoje para defender a guerra no Iraque. Entre outras coisas, o republicano disse que o custo em vidas e dinheiro valeu a pena.

Segue abaixo texto do jornalista Sérgio Dávila (que cobriu a guerra pela Folha de S. Paulo) publicado na Revista da Folha no último domingo.

Afogando em números, cinco anos depois

Na madrugada brasileira de quinta-feira, dia 20 de março, completam-se os cinco anos da invasão do Iraque por uma coalizão liderada pela Casa Branca do republicano George W. Bush. Já que a data é redonda, vale a pena elencar alguns números relacionados à guerra, que continua:

- 3.000.000.000.000 de dólares. Esse é o custo total da guerra, segundo o professor Joseph E. Stiglitz, da Universidade Columbia;

- Os US$ 3 trilhões a fazem a segunda guerra mais custosa da história do país, atrás apenas da Segunda Guerra Mundial (1939-1945);

- O número equivale ao dobro do PIB brasileiro;

- São US$ 12 bilhões por mês (US$ 16 bilhões, se a Guerra do Afeganistão for incluída);

- Com o dinheiro de um mês de guerra, seria erradicado o analfabetismo no mundo, segundo artigo escrito pelo Nobel de economia na edição mais recente da revista "Vanity Fair" e no domingo retrasado no "Washington Post";

- O custo inicial da guerra era "entre US$ 50 bilhões e US$ 60 bilhões", segundo estimativas do governo;

- No orçamento de 2008, a Casa Branca pediu US$ 200 bilhões para as operações no Iraque e no Afeganistão, somando US$ 800 bilhões gastos até agora;

- É a segunda guerra mais longeva na qual os EUA se meteram, atrás apenas da do Vietnã (1959-1975) -isso se você não considerar que, tecnicamente, os EUA ainda estão em guerra com a Coréia do Norte, iniciada em 1950, uma vez que o armistício entre Washington e Pyongyang nunca foi assinado.

Ainda:

- Foram mortos 3.983 soldados norte-americanos até agora, segundo o Pentágono;

- O governo dos EUA dá US$ 500 mil a cada família de soldado morto;

- Foram mortos entre 400 mil e 1 milhão de civis iraquianos até agora, dependendo da ONG que faz a conta;

- O governo dos EUA não paga nada às famílias das vítimas mortas;

- Há 157 mil soldados em operação no Iraque hoje; já passaram por lá e pelo Afeganistão 1,6 milhão de homens e mulheres em uniforme;

- Desses, 750 mil já deixaram a ativa e 260 mil passaram por hospitais para veteranos; desses, 100 mil foram diagnosticados com algum problema mental; outros 200 mil procuraram ajuda para se reajustar, segundo Stiglitz;

- Foram feridos cerca de 65 mil soldados norte-americanos até agora;

- Em um dos principais hospitais para veteranos, o Walter Reed Army Medical Center, em Washington, no auge de internações, em 2005, um soldado-enfermeiro cuidava de 125 feridos de guerra.

Mas:

- Apenas 700 civis iraquianos morreram em fevereiro de 2008 - foram 2.700 no mesmo mês do ano anterior, segundo levantamento anual feito por Michael O'Hanlon, da Brookings Institution;

- Apenas 36 soldados norte-americanos morreram no mesmo mês - foram 81 em fevereiro de 2007;

- Apenas 65 ataques foram desferidos por milícias e insurgentes naquele mês - foram 210 no do ano passado;

- Apenas 30 mil civis iraquianos tiveram de deixar suas casas e migrar - ante 100 mil de fevereiro de 2007; são cerca de 4 milhões de iraquianos refugiados por conta da Guerra do Iraque, ou 16% de uma população de 26,8 milhões.

E:

- Aumentou a produção de petróleo, para 2,4 milhões de barris por dia. É o melhor índice até hoje e quase o mesmo que o pré-guerra, 2,5 milhões de barris por dia;

Por fim:

- Bush tem só mais 309 dias à frente da Casa Branca.

terça-feira, 18 de março de 2008

Mais uma polêmica do tapa-sexo

Muitas visitas a este blog aconteciam após o internauta, talvez em seus momentos mais íntimos, fazer pesquisas no Google como: "Viviane Castro", "tapa-sexo", "musa do tapa-sexo", "gostosa do carnaval", etc.

Alguns caíam aqui no Samba e Política e liam os posts da época do carnaval. As fotos que publiquei eram as mesmas que os jornais, TVs e principais portais da internet veicularam. No entanto, no dia 13 de março recebi esse e-mail da GoogleAdsense, que veicula os anúncios que você vê no blog.

Tive que tirar as fotos da Viviane Castro que, após toda a polêmica no carnaval 2008, agora gera polêmica até aqui no blog. Conservadora essa Google; deveria saber diferenciar pornografia de "fotos sensuais inseridas no contexto do carnaval".

Segue o e-mail amedrontador que recebi. E, infelizmente, nesse post, não poderei colocar nenhuma foto da musa do tapa-sexo.

Olá,Durante a análise de sua conta, constatamos que você está exibindo anúncios do Google em desacordo com os nossos regulamentos. Por exemplo, encontramos violações aos regulamentos do AdSense em páginas como http://sambaepolitica.blogspot.com/search/label/Playboy.Conforme especificado nos Regulamentos do programa, os editores do AdSense não estão autorizados a colocar anúncios do Google em páginas cujo conteúdo seja impróprio para menores.
Faça as alterações necessárias em suas páginas nos próximos 3 dias úteis. Também sugerimos que você dedique algum tempo para ler os Regulamentos do programa (https://www.google.com/adsense/policies) e conferir se os mesmos estão sendo cumpridos em todas as outras páginas.Assim que você atualizar o seu site, detectaremos automaticamente as alterações e a veiculação de anúncios não será afetada.
Se você decidir não fazer as alterações em sua conta nos próximos três dias, ela permanecerá ativa, mas você não poderá mais exibir anúncios em seu site.
No entanto, lembre-se de que poderemos desativar a sua conta se outras violações forem encontradas no futuro.Agradecemos a sua cooperação.
Atenciosamente,Equipe Google AdSense
Número do caso: 353201

segunda-feira, 17 de março de 2008

Morre Mestre Louro, irmão de Almir Guineto


Na última quinta-feira, às 5h30, morreu Mestre Louro, 58, comandante da bateria da Porto da Pedra, mas que ficou marcado como mestre de bateria do Salgueiro de 1972 a 2003. Ele foi enterrado no cemitério de Inhaúma com a presença de cerca de 400 pessoas. Louro tinha câncer no estômago.

De acordo com seu irmão, o sambista Almir Guineto, Louro passou mal durante o desfile desse ano, mas manteve-se firme na condução da bateria. “Ele me contou feliz que teve de inventar aquilo para pisar na Avenida”, disse ao jornal O Dia.

Guineto também disse que o irmão tinha dores há anos, mas demorou muito para procurar tratamento. “Ele demorou a procurar tratamento. Achava que não era nada demais. E quando descobriu, não seguiu o tratamento. Já estava encomendado. A teimosia mata”.

Mestre Marcão, do Salgueiro, compareceu e prometeu inaugurar em maio, na quadra da escola, o espaço Mestre Louro, com fotografias e troféus para lembrar a história de um dos principais bambas da agremiação.

Thiago Diogo, de 26 anos, vai substituir Louro no comando da bateria da Porto da Pedra.

domingo, 16 de março de 2008

A história violenta dos EUA


O escritor norte-americano Russel Banks acredita até mesmo que Barack Obama, que disputa a indicação do partido Democrata para a eleição presidencial nos EUA, possa ser assassinado. Foi publicada hoje, no caderno Mais! da Folha de S.Paulo, uma entrevista com o escritor, considerado um dos principais nomes da literatura dos EUA.
Banks compara Obama a Robert Kennedy, assassinado em 1968 quando vencia as primárias do partido Democrata. Não confunda: Robert era irmão do presidente John Kennedy, morto em 1963. "Ninguém, desde Bobby Kennedy, conseguiu motivar de tal maneira ricos e pobres, brancos, negros e hispânicos, numa coalizão inédita desde Franklin Roosevelt", diz Banks.

O escritor cita o recorde mundial do país em número de armas por habitante e "uma propensão pela violência sem igual no mundo ocidental". Apoiador de Obama, apesar de achá-lo moderado demais em algumas questões, Banks disse que o país está numa encruzilhada. "Se Obama for escolhido candidado democrata, isso vai devolver a esperança a uma juventude desesperançada e pessimista; mas, se ele for derrotado por McCain ou assassinado, a desilusão será ainda pior".

Assassinatos

Para quem achar que a hipótese de assassinato é exagera ou descabida, aqui vão algumas informações históricas sobre o país do Tio Sam.

Quatro presidentes dos EUA já foram assassinados durante o exercício dos mandatos. Os mais lembrados são o republicano Abraham Lincoln (em 1865) e John F. Kennedy (em 1963). Mas James Garfield (1881) e William McKinle (1901) também foram mortos a tiros.

Além dos presidentes, como lembra o escritor na entrevista, Robert Kennedy foi morto há 40 anos, no mesmo ano que Martin Luther King (na foto acima).

sexta-feira, 14 de março de 2008

Nassif contra o "jornalismo-esgoto"

O jornalista Luís Nassif publica em seu blog uma série contra a revista Veja. Mesmo não estando hospedado nos gigantes da internet (UOL, IG, Terra), o blog já causa grande repercussão. Principalmente porque Nassif desmascara a publicação da Abril como nunca ninguém fez antes.

Até então, quem falava mal da Veja era visto somente como esquerdista ou petista. A série de Nassif mostra que não está em questão ideologia, mas sim a destruição completa do jornalismo. Outras publicações são conservadoras e atacam o governo, mas com base em fatos e não ilações, como faz Veja.

Na última terça-feira estive na PUC para um debate com Nassif. Participou também o editor da revista Fórum, Glauco Faria. A capa da revista esse mês é "Veja: porque tanto ódio?".

Para conferir a série no blog do Nassif, clique aqui.

terça-feira, 11 de março de 2008

Muito samba em São Paulo

Em um chá de bebê com samba no domingo fui informado e convidado para os seguintes eventos sambísticos:

Dia 16
Samba da Feira
O projeto traz sambas antigos e novas composições. Mais informações alguns posts abaixo.

Local: Avenida Eulina, 256, vila Santa Maria, Limão
Horário: 12h

Dia 20 (véspera de feriado)
Projeto Samba de Todos os Tempos
Homenagem ao samba paulista, com a presença de Wilson Sucena e Seu Aílton Santamaria, da velha guarda da Camisa Verde e Branco.
Sambas dos compositores paulistas e dos membros do projeto Samba de Todos os Tempos, além de exibição do documentário Samba à Paulista.

Local: Bar Bodega, avenida Santo Amaro, 6899.
Entrada Franca
Horário: 19h

Dia 22
Projeto Samba do Baú
O projeto vai fazer 5 horas de samba na choperia do Sesc Pompéia

"Idealizado por jovens da zona leste de São Paulo, o Projeto Samba do Baú realizará show comemorativo aos seus 3 anos de existência. Eles contam e cantam a história do samba, ressaltando peculiaridades de canções, compositores, instrumentos musicais de forma lúdica e interativa, deixando um baú próximo ao palco para que o público coloque seus pedidos de músicas. Entre uma sugestão e outra, há sempre clássicos de Nelson Cavaquinho, Dona Ivone, Ataulfo Alves, Zeca Pagodinho, Adoniran, Zé Ketti, Paulinho da Viola, Beth Carvalho, entre outros. Tradição (Geraldo Filme), Quem te Viu, Quem te Vê (Chico Buarque), Cordas de Aço (Cartola), Coração Leviano (Paulinho da Viola), Vila Esperança (Adoniran) e Palpite Infeliz (Noel Rosa), são algumas das músicas que devem constar no show."

Horário: 18h
Local: Rua Clélia, 93
Entrada: R$ 12 (inteira)

Dia 31
Samba da Laje
Local: rua Jandi, Vila Santa Catarina

*com informações da agenda do Luciano Firmeza

quinta-feira, 6 de março de 2008

O apagão do trânsito


Virou praxe ler nos jornais a expressão "apagão". Qualquer serviço público que não esteja funcionando de forma satisfatória - principalmente se o responsável for o governo federal - é motivo de apagão.

A expressão virou moda quando do racionamento de energia promovido pela incompetência do governo FHC. Depois veio o apagão da saúde e o famigerado apagão aéreo que, segundo a maioria da imprensa, derrubou dois aviões, um da Gol e outro da TAM. Mesmo não tendo sido comprovado que a ineficiência dos aeroportos ou do controle de vôo tenha sido responsável pelos dois acidentes.

Agora o trânsito de São Paulo bate todos os recorde do insuportável. Hoje foram 165Km de congestionamento, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Foi o terceiro recorde da semana no período da manhã e o quinto desde a semana passada.

A própria população atribui a situação apenas ao aumento do número de veículos (hoje são 6 milhões), mas não se discute responsabilidades e nem soluções. Aos governantes também deve ser atribuída a função de pensar a longo prazo. Com as bases sólidas de uma economia em crescimento, somada à cultura individualista de transporte dos paulistanos e o metrô ridiculamente pequeno, era de se esperar essa situação. E a tendência é piorar.

A maioria dos paulistanos parece ver a situação como normal, apenas fruto de uma cidade próspera. De dentro dos seus veículos com ar condicionado não sentem tanto a poluição que só piora, ainda mais nesses dias desérticos.

Foto: Eduardo Metroviche/Visão Oeste (Castello Branco parada na altura de Osasco. Reflexo da Marginal Pinheiros)

segunda-feira, 3 de março de 2008

Samba e aviação comercial

Nota de hoje da colunista Mônica Bergamo, na Ilustrada da Folha de S. Paulo.

Bateria
"Samba" deve ser o nome da empresa aérea que David Neeleman, fundador da companhia americana Jet Blue, anuncia que fundará no Brasil em 2009. Na semana passada, ele foi à Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) comunicar seus planos.

Interessante...

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Vídeo: Zeca no Chacrinha

Zeca Pagodinho no programa do Chacrinha em 1985:

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Paulo da Portela volta para casa quase 70 anos depois

De Luis Carlos Magalhães

A primeira vez que ouvi falar de Paulo da Portela foi às vésperas do carnaval de 1965. Era também a primeira vez que eu havia ido à Portela.
Naqueles tempos, ainda menino, eu freqüentava muito mais a Mangueira, muito mais perto de minha casa, e o Salgueiro, no Clube Maxwell, mais próximo ainda. Não havia ainda o Portelão. Se a Portelinha era pequena para os ensaios comuns que dirá para a grande final de samba-enredos daquele ano.
A decisão foi no Imperial Basket Clube, ali mesmo na estrada do Portela onde é hoje o Ponto Frio. Eu estava lá.
Para quem foi a dois ou três ensaios na Portelinha, o Imperial era gigantesco; mesmo assim pequeno demais para aquela noite. Era o carnaval do quarto centenário. Todas as escolas do Grupo Especial tiveram como enredo a cidade do Rio de Janeiro que completava 400 anos. Quase todas as escolas dos Grupos de Acesso também.

Sambas memoráveis como “Os cinco bailes da história do Rio” de Silas de Oliveira, Ivone Lara e Bacalhau; História do Carnaval Carioca – Eneida , de Geraldo Babão e Valdevino Rosa, tremendo “lençol”, 48 versos, e sambas belíssimos de Lucas e da Capela.
A Portela decidia ali o samba para o enredo de Nelson Andrade “Histórias e Tradições do Rio Quatrocentão”.
Nunca vou poder esquecer esse dia. Eu e os outros meninos da minha distante rua, sem que nossos pais tivessem idéia de onde estávamos naquela noite de sábado de 1965.
Lá pelas tantas, ao ser divulgado o resultado final, em meio àquela imensa euforia, os compositores vencedores foram chamados ao palco.
Vi então um negro enorme, corpulento, com olhos muitos expressivos, entre- passando as mesas do salão. Um sorriso muito largo e forte saudava a todos que o aplaudiam.
Era Candeia, talvez em seu último dia de glória como sambista, com seu parceiro Waldir 59.

Não era a primeira vez que eu o via pela “primeira vez”, mas este é um tema para oooooutra conversa..
Foi também naquela mesma noite ( Que noite!) que ouvi pela primeira vez falar em Paulo da Portela. Eram dois sambas de quadra de autoria do então jovem Monarco que já ali assumia seu comovente mister de ser o contador das histórias da Portela, as mais bonitas histórias da Portela.
Monarco contava e cantava em um dos sambas sobre um menino chamado Paulinho que, segundo ele, era o sucessor do outro Paulo. Um samba era “Passado de glórias”, o outro “De Paulo da Portela a Paulinho da Viola, ambos em parceria com Chico Santana.
De Paulinho, o da Viola, eu já ouvira falar. Havia visto um show ou dele ouvido algum samba. Do outro Paulo, o da Portela, eu nada sabia.
E fiquei ouvindo Monarco dizer que “Paulo e Claudionor (passista lendário, maior de seu tempo) quando chegavam às rodas de samba todos corriam pra ver”. E Monarco seguia “... no livro de nossas histórias tem conquistas a valer”. E concluía cantando que se fosse ali contar todas as glórias da Portela aquela noite não ia terminar.
Aquele samba tão marcante seguia dizendo que “... Paulo, com sua voz comovente cantava ensinando a gente com pureza e prazer”.

Neste sábado, Paulo voltará para sua escola quase setenta anos depois; seu busto estará ao lado de Natal, outro galho daquela mangueira que está lá até hoje.
Todos nós devemos estar lá no Portelão, todo o povo do samba, portelenses ou não.
Devemos levar nossos filhos... E homenageá-lo como se estivéssemos ali querendo dizer a ele, nós e nossos filhos, que seu nome jamais cairá no esquecimento.
Ali ao lado de Natal estará Paulo Benjamim de Oliveira, o Paulo da Portela.
O maior de todos os bambas.

Leia na íntegra aqui.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Com vocês...Império Serrano!

Estou disponiblizando para download um disco que considero uma obra-prima. "Um show de velha guarda", do Império Serrano.

Lançado pela gravadora Biscoito Fino em 2006, o CD traz 14 músicas cantadas pela velha guarda da verde e branco da Serrinha. São canções dos maiores bambas do Império, como Silas de Oliveira, Mestre Fuleiro, Molequinho, Nilton Campolino, Mano Décio da Viola, entre outros. São 13 sambas e uma faixa de jongos.

Entre os músicos, Paulão 7 cordas (que dirigiu o trabalho), Carlinhos 7 cordas, Mauro Diniz (cavaco), Felipe de Angola, Esguleba...

Realmente imperdível. Mas, além das ótimas músicas, o trabalho fica completo com o encarte muito bem feito e acabado, onde é contada por cada um dos integrantes da velha guarda a sua história dentro do Império Serrano e, conseqüentemente a história da própria escola de samba.

Clique nas músicas para baixar uma por vez.

Faixa 1 - Império Tocou Reunir (Silas de Oliveira/Dona Ivone Lara)
Faixa 2 - Menino de 47 (Nilton Campolino/Molequinho) - Não Me Perguntes (Mestre Fuleiro/Dona Ivone Lara)
Faixa 3 - Dei-te um Lar (Luiz Carlos Nega Véia)
Faixa 4 - A humanidade (Aloísio Machado)
Faixa 5 - O poeta e a natureza (Osório Lima/Mano Décio da Viola)
Faixa 6 - Cuidado Vovó (Hélio dos Santos/Nilton Campolino)
Faixa 7 - O que seus olhos têm (Mestre Fuleiro)
Faixa 8 - Bálsamo da Paz (Osório Lima)
Faixa 9 - Amor Aventureiro (Silas de Oliveira/Mano Décio da Viola)
Faixa 10 - Serra dos meus sonhos (Carlinhos Bem-te-vi)
Faixa 11 - Obsessão (Osório Lima/Mano Décio da Viola)
Faixa 12 - Triste Destino (Adilson Negão)
Faixa 13 - Sou imperial (Avarese)
Faixa 14 - Tava doente (Domínio público) - Vapor da Paraíba (Mestre Fuleiro/Vovó Teresa)

Para comprar esse CD, clique aqui.

Preconceitos americanos contra Obama

Conforme cresce a pré-candidatura do senador negro Barack Obama à presidência dos Estados Unidos, aumentam também as "manobras" dos seus adversários (ou da sua adversária) para tentar conter a "onda Obama".

As "gafes" da TV americana se repetem, sempre associando a imagem do terrorista Osama Bin Laden à de Obama. Hoje, foi divulgada para o mundo esta foto, tirada em 2006 no Quênia, país de origem do pai do candidato. Obama aparece vestido com roupas tipicamente muçulmanas, o que é normal e não significa necessariamente que esta é a sua religião. Ele já se declarou protestante.

No entanto, a tentativa é de associar a sua imagem com a dos terroristas que tanto amedrontam os americanos. Para isso, utilizam o preconceito difundido nos EUA contra os árabes e muçulmanos.
A campanha de Obama acusa a sua adversária nas prévias democratas, Hillary Clinton, de ter difundido a foto. Mas, curiosamente, o blog Drudgereport foi o primeiro a divulgá-la, o mesmo que mostrou em 1998 o caso de Bill Clinton com a estagiária da Casa Branca Mônica Lewinsky.
"Quero deixar claro que não conhecemos essa fotografia, a campanha não a sancionou e eu não sei nada sobre isso", disse o porta-voz de Hillary, Howard Wolfson.
No dia 4 de março acontecem prévias decisivas no estado de Ohio. Obama está pouco a frente de Hillary. Entre os republicanos o senado John McCain será o candidato.
Cuba
Em um debate realizado na semana passada, ficaram claras algumas diferenças no que pensam Obama e Hillary sobre a ilha de Fidel Castro.

Perguntados se conversariam com o novo comandante do país, Raúl Castro, Obama disse que os EUA precisam dar o primeiro passo na reaproximação dos dois países. Já Hillary foi mais conservadora: afirmou que só conversa se ficar claro uma "democratização" da ilha.

Interessante seria perguntar a Hillary se ela não conversaria com o presidente da China, já que lá também existe uma ditadura. Aliás, bem pior que a cubana no que se refere a violação dos direitos humanos.
Foto: arquivo-2006/Associated Press

Homenagem

Do Tudo de Samba:

Um os fundadores da Vai Como Pode, embrião da Portela, o compositor Paulo da Portela vai ganhar busto que será colocado na entrada da quadra da escola, em Madureira, onde já existe o busto de Natal, ex-presidente da azul e branco.

Segundo nota publicada nesta terça-feira, na coluna Gente Boa, de O Globo, a inauguração vai acontecer em 1º de março, sábado que vem, com as presenças de bambas portelenses, como Paulinho da Viola e Zeca Pagodinho.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Preso compositor do samba-enredo da Mangueira


Tuchinha, como era conhecido, utilizou o nome Francisco do Pagode para assinar, junto com outros compositores, o samba-enredo que a Estação Primeira de Mangueira levou à Sapucaí no último carnaval.

O traficante foi preso sábado em Aracaju, Sergipe, para onde se mudou com a mulher e a filha de 3 anos. Agora, Tuchinha pede à polícia para não cumprir pena em Bangu 1, onde teme ser morto pelos chefes do Comando Vermelho (CV). É possível que seja transferido para uma prisão federal.

Mas a confusão em torno da Mangueira - que contribuiu para o péssimo resultado da escola no carnaval - não acaba com a prisão de Tuchinha. A polícia acusa a direção da escola de ter fechado a tal passagem secreta que dava acesso direto à quadra, o que juridicamente constitui fraude processual.

É um desafio para a diretoria da Mangueira manter-se livre do tráfico com a quadra encravada no morro mais lucrativo para os traficantes, com faturamento calculado de R$ 1 milhão por semana.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

"Não sou alcoólatra"

Zeca Pagodinho faz mais dois shows, hoje e amanhã, em São Paulo (Credicard Hall) do seu Acústico MTV-Gafieira.

Hoje, na Folha de S.Paulo saiu uma entrevista dele, concedida à jornalista Laura Mattos.
Claramente sem vontade de falar com a repórter, Zeca respondeu a primeira pergunta "Como será seu próximo disco?". "De samba ué".

Depois falou do personagem Zé da Feira, da novela Duas Caras, inspirado nele. "Não sou alcoólatra, não ando caído de bobeira na rua. Ele é inspirado, porra, não é o Zeca Pagodinho"

A repórter insistiu. "A cerveja não atrapalha a sua vida em nenhum momento?". Zeca responde: "Minha vida é que atrapalha a minha cerveja".

A entrevista na íntegra aqui. Só para assinantes da Folha ou UOL.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Natal da Portela, o filme

Ainda na onda do carnaval, a TV Brasil passou o filme "Natal da Portela" (1988), de Paulo César Saraceni, uma co-produção Brasil/França que conta a história do "Seu Natalino", o bicheiro que deu tudo pela Portela e por Madureira.
O filme é ruim tecnicamente e as belas interpretações de Milton Gonçalves (que interpreta Natal), Grande Otelo, Zezé Mota e outros, contrasta com a de Almir Guineto, escolhido para representar o Paulo da Portela. Mesmo assim é ótimo para entender melhor esse personagem que virou bamba, mesmo sem nunca ter tocado um instrumento ou composto um samba.
Natal é mostrado como realmente foi. Um homem que fez tudo pela comunidade, mas não um homem bom. Inclusive o episódio em que mata um rival (um racista que o chama de "negro nojento") e vai parar no presídio da Ilha Grande é mostrado. O personagem principal é daqueles que ocuparam o vazio deixado pelo Estado nos suburbios.

Ao mesmo tempo é possível entender um pouco dos sucessivos campeonatos que a Portela venceu e conhecer um pouco também de Paulo da Portela e da velha-guarda. Destaque para o episódio do afastamento do Paulo, após briga com Manoel Bam-bam-bam, e a sua composição "o meu nome já caiu no esquecimento".

Algumas cenas dos desfiles são um pouco estranhas. Não condizem com a realidade. Talvez pela falta de recursos, ou devido à participação dos franceses. No final são mostradas cenas reais do desfile que a escola fez, já na Sapucaí, em homenagem a Natal. É legal ouvir um diálogo na avenida entre Monarco e João Nogueira.

No site Portela Web encontrei mais coisas interessantes sobre Natal, como a sua passagem na diretoria do clube Madureira, e uma excursão internacional que fez com o time de futebol. Vale a pena dar uma passada por lá.
Na cena da foto, Paulo da Portela (Almir Guineto) mostra composição a Natal (Milton Gonçalves).

Baixo clero quebra o pau no Senado


Os senadores Gilvam Borges (PMDB/AP) e Mário Couto (PSDB/PA) quase trocaram socos durante a sessão de hoje o Senado.

Tudo começou quando o governista Gilvam Borges, correligionário e uma espécie de porta-voz de José Sarney, chamou a oposição de irresponsável e falou que o assunto dos Cartões Corporativos já estava fora de moda. "Se o objetivo é desgastar o Governo ou o próprio Presidente Lula, as pesquisas mostram que quanto mais batem, mais ele cresce. A Oposição raivosa, temperamental, irresponsável, que perde tempo falando de coisas que não atingem diretamente o Governo, deveria reavaliar essas posições.", afirmou.

O tucano Mário Couto, com um jeito teatral que é quase uma mistura de Mão Santa com Almeida Lima, tomou as dores: "Aqui fazemos uma Oposição responsável. Olha como é responsável e veja como falo a verdade. Se essa pesquisa for verdadeira, estamos criando uma nova cultura neste País. Nenhum ato ilícito cometido por este Governo tem qualquer significado, que não dá em nada, 'não pega nada', e o Presidente continua subindo nas pesquisas?"

Gilvam Borges, sabendo que Mário Couto não estará em Brasília amanhã, disse que poderia continuar discutindo o assunto nesta sexta-feira. "Seria bom vossa excelência cancelar sua viagem amanhã. Esse dedo que vossa excelência aponta sempre, essa expressão teatral que utiliza, o espancamento que faz à tribuna sofrida... amanhã estaremos aqui para trabalhar."

Mário Couto se exaltou. "Vossa excelência chamou a oposição de irresponsável. A oposição não é irresponsável. E vossa excelência não vai mais repetir isso."

O presidente da sessão, Álvaro Dias (PSDB/PR), precisou suspender os trabalhos por alguns instantes. Mário Couto desceu da tribuna e, como a TV Senado mostrou, foi para cima de Gilvam Borges, e a turma do "deixa-disso", liderada, vejam só, por Kátia Abreu (DEM/TO) entrou em ação para evitar que os civilizados parlamentares demonstrassem um afeto ainda maior um pelo outro. Que bonito!

Ouça um compacto da briga na página da Jovem Pan (precisa ter Real Player) e repare que Mário Couto grita: "não há deferença (sic) alguma" entre comprar uma tapioca ou roubar um milhão de reais.

Só para lembrar, em uma de suas passagens pelo Senado, Gilvam Borges havia contratado como assessoras sua mulher e sua mãe. Ao explicar as nomeações, respondeu: "Uma me pariu e a outra dorme comigo".

Congresso "classe A" esse nosso, não?
(foto: Wilson Dias/Agência Brasil)

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Renúncia de Fidel não muda o regime

É quase unanimidade, inclusive entre os que consideram Fidel Castro simplesmente um “ditador”, que a sua renúncia do poder 49 anos após a Revolução não representa uma drástica mudança na política e no sistema econômico socialista da ilha.
Há 19 meses afastado da presidência por motivos de saúde, Fidel anunciou na quarta-feira, 19, em carta publicada no jornal oficial Granma, que não vai reassumir o cargo de presidente do Conselho de Estado, que deve ficar com o seu irmão Raúl Castro. Fidel vai continuar a atuar apenas com idéias, repercutidas pela TV e jornal estatais.

A notícia da renúncia não surpreendeu a ninguém e não gerou grandes reações entre os dissidentes de Miami, ávidos por uma oportunidade de derrubar o regime socialista.
Em sua longa jornada, o líder comunista teve como principal inimigo o vizinho Estados Unidos, que não só tentou assassinar Fidel (via CIA), como invadiu Cuba em 1961, em episódio conhecido como a invasão da Baía dos Porcos.

Os avanços na qualidade de vida da população foram inegáveis desde a Revolução, mas após a dissolução da União Soviética (1991) Cuba enfrentou dificuldades que começaram a ser superadas com o investimento (em parcerias com a iniciativa privada) no turismo. No entanto, a falta de liberdade e o contraste entre quem trabalha no turismo ou na máquina estatal com os habitantes “comuns” é um desafio de Raúl Castro para manter o regime.

O novo comandante já acenou com aberturas, mas que não devem significar a instauração de um “modelo chinês”, como querem os liberais.

O embargo econômico imposto pelos EUA deve continuar, qualquer que seja o resultado da eleição presidencial de novembro. Mesmo o democrata Barack Obama, que tem como lema de campanha a mudança (change), só diz que vai "dialogar" com os inimigos do país, o que já é um avanço, mas não dá esperança de mudanças.